C6 no Rock: como o C6 Bank transformou a música em parte de sua identidade
- Sérgio Dall'Alba

- há 7 dias
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Banco amplia sua atuação no mercado de festivais e coloca o rock brasileiro dos anos 1980 no centro de um novo projeto
O relacionamento entre bancos e música não é exatamente uma novidade. Mas o C6 Bank vem construindo uma estratégia que vai além do patrocínio tradicional: transformar a música em parte da identidade da própria marca.
Em 2026, essa estratégia ganhou um novo capítulo com o C6 no Rock, festival realizado nos dias 22 e 23 de agosto no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Em sua primeira edição, o evento mergulha no rock brasileiro dos anos 1980, reunindo nomes que ajudaram a transformar a música e o comportamento de uma geração.
Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Ira!, Blitz, Plebe Rude, Paulo Ricardo, Marina Lima, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá estavam entre os artistas escalados. A proposta, porém, não é simplesmente reunir grandes nomes em um mesmo palco.
O festival aposta em uma ideia particularmente interessante: revisitar álbuns que ajudaram a definir a música brasileira dos anos 1980, muitos deles apresentados pelos próprios artistas que participaram de sua criação.
Mais do que nostalgia
A escolha da década de 1980 poderia facilmente resultar em um festival baseado apenas na nostalgia. O C6 no Rock tenta seguir outro caminho.
A proposta oficial é olhar para o rock brasileiro daquela década "pelas lentes do presente e do futuro", recuperando discos que ajudaram a construir a identidade cultural do país. É uma diferença importante.
O rock dos anos 1980 não foi apenas uma trilha sonora. Ele acompanhou a redemocratização brasileira, incorporou referências internacionais e ajudou a transformar comportamento, linguagem e posicionamento artístico. Por isso, revisitar discos como Cabeça Dinossauro, dos Titãs; Selvagem?, dos Paralamas; Vivendo e Não Aprendendo, do Ira!; O Concreto Já Rachou, da Plebe Rude; Rádio Pirata ao Vivo, de Paulo Ricardo e RPM; e Dois, da Legião Urbana, significa também revisitar um momento de profundas transformações na sociedade brasileira.
A curadoria do festival ficou a cargo de Hermano Vianna, Leonardo Lichote e Marcus Preto, reforçando justamente essa preocupação em contextualizar a música para além dos grandes sucessos.
O C6 já vinha apostando na música
O C6 no Rock não surgiu isoladamente. O banco já havia construído uma presença significativa no mercado de festivais por meio do C6 Fest, realizado em parceria com a Dueto Produções. O festival nasceu com uma proposta internacional e uma programação que atravessa gêneros como jazz, soul, pop, eletrônico e rock.
Ao longo de suas edições, o C6 Fest trouxe ao Brasil artistas como Air, Nile Rodgers & Chic, The Pretenders, Wilco, Black Pumas e Black Country, New Road, ao mesmo tempo em que abriu espaço para nomes brasileiros.
A lógica é diferente da de muitos festivais comerciais: existe uma preocupação evidente em combinar artistas consagrados com nomes menos óbvios e propostas musicais que escapam do mainstream. O próprio C6 define seu festival como um espaço para artistas "inventivos e fora da curva". Agora, com o C6 no Rock, a marca amplia esse território e cria um projeto especificamente dedicado à música brasileira.
Um festival construído em torno dos discos
Talvez o principal diferencial do C6 no Rock esteja justamente no formato.
Em vez de concentrar a programação apenas em grandes hits, os shows foram pensados a partir de discos fundamentais da década.
No primeiro dia, os Titãs apresentaram Cabeça Dinossauro, enquanto os Paralamas revisitaram Selvagem?. Paulo Ricardo levou ao palco Rádio Pirata ao Vivo, e a Plebe Rude apresentou O Concreto Já Rachou.
O segundo dia ficou marcado por apresentações de Vivendo e Não Aprendendo, do Ira!, As Aventuras da Blitz, da Blitz, e Dois, da Legião Urbana, com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá acompanhados por André Frateschi. Marina Lima também revisitou Fullgás, com participações de Lobão e Liminha.
A programação ainda reservou espaço para duas homenagens especiais.
Uma delas foi dedicada a Rita Lee, em um espetáculo comandado por seu filho, Beto Lee, reunindo artistas de diferentes gerações. A outra homenageou Cazuza, com um elenco formado por nomes como Frejat, Arnaldo Antunes, Lobão, Leoni, Léo Jaime, Maria Gadú e Johnny Hooker. O espetáculo teve direção musical de Liminha.
A estratégia por trás da música
Para o C6 Bank, investir em música significa também construir associação de marca.
O banco não aparece apenas como patrocinador de um evento musical. Ao criar propriedades próprias como o C6 Fest e o C6 no Rock, passa a ocupar um território cultural específico.
E existe uma lógica interessante nessa estratégia.
O C6 Fest associa a marca a descoberta, diversidade e música internacional. O C6 no Rock, por sua vez, aproxima o banco da memória afetiva brasileira e de um dos períodos mais importantes da história do rock nacional.
São públicos diferentes, mas que compartilham uma característica: a música como elemento de identidade e comportamento.
Nesse sentido, o C6 no Rock parece menos uma ação isolada e mais uma expansão do projeto musical que o banco vem construindo desde o lançamento do C6 Fest.
Quando o passado encontra novas gerações
Existe ainda um desafio importante para um festival dedicado ao rock dos anos 1980: fazer com que essa música não fique restrita a quem viveu aquela época. A escolha de artistas de diferentes gerações nas homenagens ajuda a resolver parte dessa questão.
Ao lado de nomes que participaram diretamente daquela cena aparecem intérpretes que chegaram à música brasileira décadas depois. O resultado é uma espécie de ponte entre públicos diferentes.
E talvez esse seja o aspecto mais interessante do C6 no Rock.
Mais do que simplesmente celebrar o passado, o festival transforma discos antigos em experiências contemporâneas — e coloca novamente em circulação músicas que continuam dialogando com o presente.
O rock brasileiro continua relevante
Quarenta anos depois da explosão do BRock, a força de bandas como Titãs, Paralamas, Ira!, Plebe Rude, Blitz e Legião Urbana demonstra que aquele movimento está longe de ser apenas uma lembrança. As músicas continuam sendo ouvidas, os discos continuam sendo reeditados e seus shows continuam atraindo diferentes gerações.
Ao apostar nesse repertório, o C6 Bank também reconhece algo que o mercado cultural já percebeu: catálogo não é sinônimo de passado.
Quando existe uma história forte por trás de uma obra, ela pode ser reinterpretada, apresentada a novos públicos e ganhar novos significados.
É justamente nessa fronteira entre memória e descoberta que o C6 parece querer construir seu espaço na música brasileira.
E, para o rock nacional, ter um grande festival dedicado exclusivamente à sua história e ao seu legado é uma notícia que merece ser comemorada.
O C6 no Rock pode ter terminado neste domingo, mas a iniciativa deixa uma pergunta interessante para o futuro: quais outros capítulos da música brasileira podem ganhar novos palcos nas próximas edições?





























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