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Almir e Gabriel Sater emocionam BH em encontro de gerações no Arena Hall

  • Foto do escritor: Sérgio Dall'Alba
    Sérgio Dall'Alba
  • 16 de ago.
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

Turnê “Pai e Filho” reuniu clássicos, viola caipira e momentos de cumplicidade entre Almir e Gabriel Sater em uma noite marcada pela música brasileira


Há encontros que são especiais antes mesmo de o primeiro acorde ser tocado. Foi assim na noite deste sábado (15), no Arena Hall, em Belo Horizonte, quando Almir Sater e Gabriel Sater subiram ao palco para apresentar a turnê “Pai e Filho”.


O show em BH encerrou a primeira edição da turnê, que cumpriu cerca de 60 apresentações no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo uma parada no Carnegie Hall, em Nova York.


Mais do que um show reunindo dois músicos da mesma família, a apresentação mostrou como uma relação construída ao longo de décadas pode se transformar em linguagem artística. Durante pouco mais de uma hora e meia (com início pontualíssimo as 21h), pai e filho dividiram vocais, instrumentos e protagonismo em um repertório que atravessou a música regional brasileira, a viola caipira e canções que fazem parte do imaginário de diferentes gerações.



“Trem do Pantanal” abre a viagem

A escolha de “Trem do Pantanal” para abrir o espetáculo não poderia ser mais simbólica.

A música, associada à trajetória de Almir Sater e à cultura do Mato Grosso do Sul, colocou imediatamente o público dentro do universo que os dois artistas pretendiam apresentar.

A partir daí, o repertório passou por diferentes momentos e sonoridades, com “Voa Vagalume”, “Venha me Ver”, “O Vento e o Tempo”, “Peão” e “Mês de Maio” mantendo a apresentação em movimento.


A sensação não era a de acompanhar simplesmente uma sequência de sucessos. O repertório funcionava como uma espécie de passeio pela história musical da família Sater e pelas referências que ajudaram a formar a identidade artística dos dois.


E, mesmo quando a música não era originalmente de Almir ou Gabriel, a viola e os arranjos davam ao espetáculo uma identidade claramente ligada aos dois.


Quando Belo Horizonte cantou junto

Um dos momentos mais fortes da noite veio com “Chalana”.


Assim que os primeiros acordes da música foram reconhecidos, a plateia assumiu o protagonismo e cantou em coro. O momento transformou o Arena Hall em um grande espaço de celebração da música brasileira.


“Chalana” é uma daquelas canções que ultrapassaram o universo da música regional e se tornaram parte da memória afetiva de diferentes gerações. Na voz de Almir, a música ganhou ainda mais força, enquanto a participação do público mostrou o quanto aquele repertório permanece vivo.


Foi também um dos momentos em que ficou mais evidente que “Pai e Filho” não é apenas um projeto sobre a relação entre dois artistas. É um espetáculo que depende da memória afetiva de quem está do outro lado do palco.


Gabriel ganha espaço e mostra sua identidade

Depois da explosão de “Chalana”, o show seguiu explorando diferentes facetas de Gabriel.

“Brisa de Outono” apareceu no repertório antes de “Paula e Bebeto”, preparando o caminho para um dos momentos mais interessantes da noite: “Amor de Índio”.


A música de Beto Guedes e Ronaldo Bastos ganhou um novo arranjo para a turnê. Gabriel trabalhou a canção a partir de uma interpretação própria, enquanto a presença da viola de Almir acrescentou uma nova camada à música.


A escolha tem um significado especial em Belo Horizonte. Beto Guedes é um dos nomes fundamentais da música mineira e “Amor de Índio” pertence a um repertório que dialoga diretamente com a identidade musical do estado.



A viola como personagem principal

A segunda metade do espetáculo mergulhou ainda mais na sonoridade instrumental.

“Luzeiro”, “Touro Mocho”, “Um Violeiro Toca” e “Arabescos” deram espaço para que a viola deixasse de ser apenas acompanhamento e assumisse definitivamente o papel de protagonista.


É justamente nesses momentos que a diferença entre os dois músicos se transforma em uma das maiores qualidades do espetáculo.


Almir carrega uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada à viola e à música regional. Gabriel, embora profundamente influenciado pelo pai, apresenta uma abordagem própria e mostra que a herança recebida não significa repetição.


O projeto “Pai e Filho” foi concebido justamente a partir dessa combinação. Antes da turnê, os dois chegaram a experimentar apresentações separadas, mas optaram por reunir banda, repertório e ideias em um único espetáculo.

O resultado é mais interessante justamente porque não parece um show de Almir Sater com a participação do filho.

É um show de Almir e Gabriel Sater.


Da “Boca do Mato” ao destino

O repertório seguiu com “Boca do Mato” e “D de Destino”, mantendo a atmosfera construída pelos instrumentos de cordas e pelas vozes dos dois artistas.


Em seguida, veio uma das canções mais aguardadas da noite: “Tocando em Frente”.

A música, composta por Almir Sater e Renato Teixeira, carrega uma dimensão quase geracional dentro da música brasileira. Sua presença no espetáculo reforça uma das ideias centrais da turnê: o conhecimento que passa de uma geração para outra sem perder sua essência.


Cantada por pai e filho, a canção ganha ainda outra leitura.

Não é apenas uma música sobre seguir adiante - é também sobre aquilo que permanece enquanto o tempo passa.


O encerramento e o bis

A reta final veio com “Rasta do Adeus”, antes de os músicos deixarem o palco.

Mas o público ainda queria mais.


No bis, Almir e Gabriel retornaram para “Cabecinha no Ombro”, encerrando a apresentação de maneira mais intimista e reforçando o caráter afetivo que atravessou toda a noite.


Depois de um repertório que passou pela viola, pela música regional, por clássicos brasileiros e por momentos instrumentais, a escolha da música para o encerramento funcionou como uma espécie de despedida carinhosa.


Um encontro que vai além da música

A ideia de colocar pai e filho no mesmo palco poderia facilmente resultar em um espetáculo baseado apenas na nostalgia. Não foi o que aconteceu no Arena Hall.


A força de “Pai e Filho” está justamente em mostrar que Gabriel não está ali apenas para continuar a história do pai - ele já tem sua própria história.


Almir não parece estar simplesmente entregando um legado ao filho.


Os dois parecem estar construindo um novo capítulo juntos.


E talvez seja essa a principal mensagem deixada pelo espetáculo em Belo Horizonte.


O legado continua sendo escrito

“Pai e Filho” é uma turnê sobre herança, mas não sobre passado.

O passado está presente em “Trem do Pantanal”, “Chalana”, “Luzeiro”, “Um Violeiro Toca” e “Tocando em Frente”. Mas ele divide espaço com Gabriel, com seus arranjos, sua interpretação e sua maneira própria de ocupar o palco.


A noite no Arena Hall mostrou que a tradição da viola brasileira não precisa ficar presa à nostalgia.

Ela pode continuar sendo reinventada, ganhar novas vozes e atravessar gerações.


E pode, sobretudo, continuar emocionando um público que conhece as músicas há décadas e outro que está descobrindo essas canções agora.


No fim, a turnê entrega exatamente aquilo que seu nome promete: um pai e um filho dividindo muito mais do que o palco.

Dividindo histórias, instrumentos, referências e uma paixão que, naquela noite em Belo Horizonte, foi compartilhada também com o público.


Setlist – Almir Sater e Gabriel Sater | “Pai e Filho” – Belo Horizonte

  1. Trem do Pantanal

  2. Voa Vagalume

  3. Venha me Ver

  4. O Vento e o Tempo

  5. Peão

  6. Mês de Maio

  7. Chalana

  8. Brisa de Outono

  9. Paula e Bebeto

  10. Amor de Índio

  11. Luzeiro

  12. Touro Mocho

  13. Um Violeiro Toca

  14. Tema de Viola

  15. Boca do Mato

  16. D de Destino

  17. Tocando em Frente

  18. Rasta do Adeus

Bis:

  1. Cabecinha no Ombro



 
 
 

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