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A verdadeira história da capa de “Roots”, clássico do Sepultura que mudou o metal mundial

  • Foto do escritor: Sérgio Dall'Alba
    Sérgio Dall'Alba
  • 20 de mai.
  • 2 min de leitura

A imagem que virou símbolo do metal brasileiro veio de uma indígena Karajá fotografada décadas antes do disco


Quando o Roots foi lançado em 1996, o Sepultura já era uma das bandas mais importantes do metal mundial. O disco transformou o grupo em fenômeno global, aproximou o metal de elementos brasileiros e redefiniu os rumos do gênero nos anos 1990. Mas existe um detalhe na capa do álbum que muitos fãs descobrem apenas anos depois: a figura estampada ali é inspirada em uma indígena brasileira real.


A imagem usada como referência pertence à indígena Koixaru Karajá, integrante do povo Karajá. A fotografia original ficou conhecida nacionalmente por ter sido usada também na nota de mil cruzeiros lançada no Brasil em 1990. Décadas depois, ela acabaria eternizada em um dos discos mais importantes da história do metal pesado.


A arte da capa foi criada por Michael Whelan, artista já consagrado no universo da ficção científica e fantasia  e que também havia trabalhado anteriormente com o Sepultura nas capas de Beneath the Remains e Arise. Para Roots, Whelan utilizou a fotografia de Koixaru como base e adicionou elementos ligados ao conceito do álbum, como raízes, grafismos tribais e o famoso “S” do Sepultura pendurado no colar.


Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A fotografia foi feita pelo indigenista e escritor José Américo Peret, conhecido por registrar diferentes povos indígenas brasileiros ao longo do século XX. O retrato acabou ganhando vida própria ao atravessar diferentes momentos da cultura brasileira — da moeda nacional ao imaginário do metal mundial. Curiosamente, muita gente acreditou durante anos que a capa representava um guerreiro indígena masculino. A revelação de que a referência original era uma mulher surpreendeu até fãs antigos da banda.


O conceito de Roots dialogava diretamente com essa proposta de reconexão cultural. Durante as gravações do álbum, integrantes do Sepultura visitaram aldeias do povo Xavante no Mato Grosso, experiência que influenciou profundamente músicas, percussões e a identidade visual do trabalho. O disco incorporou ritmos tribais, instrumentos percussivos e referências brasileiras de forma inédita para uma banda extrema daquele tamanho.


Musicalmente, Roots também marcou uma virada radical. O álbum ajudou a consolidar elementos que mais tarde seriam associados ao nu metal, influenciando bandas do mundo inteiro. Faixas como “Roots Bloody Roots”, “Ratamahatta” e “Attitude” transformaram o Sepultura em referência global e abriram caminho para grupos que misturariam peso, groove e influências étnicas nos anos seguintes.


Hoje, quase 30 anos depois do lançamento, a capa continua sendo uma das imagens mais reconhecíveis da história do metal. E por trás daquele rosto marcado por raízes e pinturas está uma figura real da história indígena brasileira — algo que muita gente ouviu durante décadas sem jamais saber.

 
 
 

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