A banda que ninguém suportava dividir estrada nos anos 70 — nem os próprios colegas de turnê
- Sérgio Dall'Alba

- 25 de mai.
- 2 min de leitura
Explosões de ego, festas intermináveis e comportamento caótico fizeram o Kiss ganhar fama de grupo “insuportável” nos bastidores do rock
Hoje o Kiss é lembrado como uma das maiores máquinas de entretenimento da história do rock. Mas, durante os anos 1970, a banda também carregava outra reputação nos bastidores: a de um grupo extremamente difícil de acompanhar em turnês.
A história foi relembrada em matéria publicada originalmente pela revista britânica Far Out Magazine, que resgatou relatos sobre o comportamento do quarteto durante o auge da fama.
Segundo a publicação, o problema não era apenas a intensidade das apresentações ou o estilo extravagante do grupo. O verdadeiro desgaste acontecia fora do palco. Integrantes de bandas que excursionaram com o Kiss frequentemente descreviam um ambiente marcado por excessos, competitividade e um clima constante de caos.
Nos anos 70, o Kiss vivia praticamente em estado permanente de turnê. O sucesso explosivo de discos como “Alive!”, “Destroyer” e “Love Gun” transformou o grupo em um fenômeno comercial gigantesco. Ao mesmo tempo, o estilo de vida da banda passou a acompanhar essa escalada: festas diárias, consumo pesado de álcool, disputas de ego e uma rotina que muitos músicos consideravam impossível de suportar.

A Far Out destaca que uma das principais reclamações vinha justamente da postura dominante do grupo nos bastidores. O Kiss queria controlar praticamente tudo ao redor das turnês — da estrutura dos shows até o tratamento dado às bandas de abertura. Em muitos casos, músicos relatavam que a convivência se tornava desgastante rapidamente.
O comportamento extravagante de Gene Simmons e Paul Stanley também ajudava a alimentar essa reputação. Ambos se tornaram símbolos máximos do excesso dentro do rock setentista, frequentemente associados a histórias envolvendo festas intermináveis, groupies e rivalidades internas.
A matéria da Far Out também lembra que a própria estrutura visual do Kiss acabava criando tensão com outras bandas. Em uma época em que muitos grupos apostavam em autenticidade “crua”, o Kiss investia pesado em maquiagem, explosões, sangue cenográfico e uma teatralidade quase circense. Isso fazia com que muitos artistas enxergassem a banda mais como um produto de entretenimento do que como um grupo “sério” de rock.
Ainda assim, mesmo enfrentando críticas constantes, o Kiss transformou essa abordagem em sucesso absoluto. O grupo virou referência em marketing musical, merchandising e espetáculos de arena, algo que influenciaria gerações seguintes do hard rock e do heavy metal.
Com o passar das décadas, a fama de “banda impossível de excursionar junto” acabou virando quase parte do folclore do rock. E, para muitos fãs, essa mistura de exagero, ego e espetáculo era exatamente o que tornava o Kiss diferente de qualquer outra banda da época.
A reportagem original da Far Out Magazine pode ser lida em:




























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