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Banda iraniana foi condenada pela Lei da Sharia por tocar metal — e caso chocou o mundo do rock

  • Foto do escritor: Sérgio Dall'Alba
    Sérgio Dall'Alba
  • 7 de mai.
  • 2 min de leitura

Presos, ameaçados de execução e condenados a chicotadas: a história do Confess mostra como o heavy metal ainda é tratado como crime em regimes autoritários


Em boa parte do mundo, o heavy metal é sinônimo de rebeldia, protesto e liberdade artística. No Irã, porém, fazer música extrema pode significar prisão, tortura e perseguição política. A trajetória da banda iraniana Confess se transformou em um dos casos mais chocantes de repressão à cultura underground na última década.


Formada em Teerã pelos músicos Nikan Khosravi e Arash Ilkhani, a banda misturava death metal e groove metal com letras abertamente críticas ao autoritarismo, à violência institucional e ao fundamentalismo religioso imposto pelo regime iraniano. O conteúdo rapidamente colocou o grupo na mira das autoridades.



Em 2015, integrantes do Confess foram presos pela Guarda Revolucionária Islâmica. As acusações incluíam blasfêmia, propaganda contra o Estado e atividade musical ilegal — crimes extremamente graves dentro da interpretação da Lei da Sharia aplicada no país. Na época, veículos internacionais especializados em música pesada relataram que os músicos chegaram a correr risco real de execução.


O que tornou o caso ainda mais simbólico foi justamente o motivo da perseguição: as letras da banda. Em músicas carregadas de revolta política e crítica social, o Confess denunciava repressão estatal, censura e abuso de poder. Em democracias ocidentais, isso seria interpretado como liberdade artística. No Irã, virou evidência criminal.


A repressão teve repercussão mundial. Nomes importantes do metal internacional, como Alissa White-Gluz, conhecida pelo trabalho com Arch Enemy, e Corey Taylor, manifestaram apoio público aos músicos iranianos. A mobilização ajudou a transformar o caso em símbolo da luta pela liberdade de expressão dentro da cena metal.


Mesmo assim, a perseguição continuou. Anos depois da prisão inicial, veio a condenação definitiva: juntos, os músicos receberam mais de 14 anos de prisão. Khosravi também foi condenado a 74 chicotadas.


Sem perspectivas de segurança dentro do próprio país, os integrantes decidiram fugir. A saída do Irã aconteceu de forma clandestina, cruzando ilegalmente a fronteira rumo à Turquia. O relato de Khosravi sobre a fuga virou um dos testemunhos mais impactantes já associados ao universo do metal contemporâneo. Em entrevista ao site Decibel Magazine) ele disse:


“Eu decidi deixar o país. Fui proibido de viajar para fora do Irã e meu passaporte foi tirado de mim pelo governo. Não havia outro jeito de emigrar. Cruzei ilegalmente a fronteira para sair do inferno que projetaram para mim.”


Leia a entrevista completa aqui:


Hoje vivendo na Noruega, o Confess segue ativo e produzindo música longe da censura iraniana. A banda se tornou um símbolo de resistência cultural e política — uma lembrança brutal de que, em algumas partes do mundo, tocar metal ainda pode ser considerado um ato de desafio ao Estado.


A história também reforça algo que o rock frequentemente tenta lembrar: para certas sociedades, música pesada continua sendo muito mais do que entretenimento. Ainda é confronto, identidade e resistência.

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