VENOM aponta custo de vistos como barreira e escancara crise silenciosa das turnês nos EUA
- Sérgio Dall'Alba

- 4 de mai.
- 2 min de leitura
Burocracia, custos absurdos e incerteza: veteranos do metal admitem que tocar nos Estados Unidos virou um jogo quase impossível — e não são os únicos
A ausência de shows do Venom nos Estados Unidos não é falta de interesse, mas falta de viabilidade. Em entrevista recente para Thomas S. Orwat, Jr. da Rock Interview Series, o guitarrista Rage foi direto ao ponto: levar a banda para o país hoje virou um processo caro, burocrático e, pior, arriscado.

Segundo o músico, apenas os vistos de trabalho para os três integrantes já podem custar entre US$ 7 mil e US$ 9 mil, sem qualquer garantia de aprovação. E isso é só o começo do problema.
A realidade descrita pelo Venom expõe um cenário que vem se agravando nos bastidores da indústria: o custo de se apresentar nos EUA disparou, enquanto a burocracia se tornou um verdadeiro labirinto. O processo envolve entrevistas, espera prolongada e o risco constante de negativa, mesmo após todo o investimento financeiro.
Rage ainda destaca um ponto que poucos fãs percebem: mesmo com shows confirmados, promotores recuam quando entram na equação os custos de visto, tornando muitas turnês inviáveis antes mesmo de acontecerem.
E não é um caso isolado.
Bandas europeias vêm enfrentando dificuldades semelhantes, com cancelamentos e adiamentos cada vez mais comuns. O próprio Venom cita situações recentes em que grupos não conseguiram entrar no país ou tiveram que mudar planos por conta da papelada.
Como se não bastasse, há o fator logístico: fazer turnê nos EUA exige estrutura cara — especialmente transporte. O que antes já era pesado financeiramente, hoje se tornou praticamente proibitivo para muitos nomes do metal.
O resultado é um cenário paradoxal: enquanto bandas underground ainda conseguem cruzar o país em vans improvisadas, nomes mais estabelecidos enfrentam dificuldades reais para viabilizar turnês completas.
No meio disso tudo, o Venom deixa claro que a vontade de tocar para o público americano continua intacta. A banda, que acaba de lançar o álbum Into Oblivion, se vê como um nome global mas esbarra em barreiras que vão muito além da música.
Há até uma ironia histórica na situação.
Rage relembra a época da chamada “invasão britânica”, quando bandas atravessavam o Atlântico com facilidade e frequência. Hoje, décadas depois, o caminho se tornou um desafio que mistura burocracia estatal, inflação e um mercado cada vez mais complexo.
No fim das contas, a mensagem é clara: não é que as bandas não querem tocar nos EUA é que, para muitas delas, simplesmente não vale mais a pena arriscar.
E isso pode estar mudando, silenciosamente, o mapa global do rock.




























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