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Ex-integrantes do Skank e Penélope unem forças em nova banda e lançam single sobre ansiedade digital

  • Foto do escritor: Sérgio Dall'Alba
    Sérgio Dall'Alba
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Projeto batizado de Cápsula reúne nomes históricos do rock brasileiro dos anos 1990 e aposta em uma sonoridade que mistura pop, pós-punk, dub e indie rock


O fim do Skank abriu espaço para que seus integrantes explorassem novos caminhos musicais e um dos projetos mais curiosos dessa nova fase acaba de ganhar forma. Haroldo Ferretti e Lelo Zaneti, ex-baterista e ex-baixista da banda mineira, se juntaram a Érika Martins e Fernando Americano, conhecidos pelo trabalho com a Penélope, para criar a banda Capsula.


O grupo estreou oficialmente com o single “Dopamina”, lançado nas plataformas digitais nesta semana. A faixa apresenta uma mistura de pop, reggae, indie rock, pós-punk e o chamado “rock adulto”, com letras voltadas para temas contemporâneos como ansiedade digital, excesso de estímulos, relações líquidas e esgotamento emocional.


Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Segundo informações divulgadas pelos próprios músicos e pela imprensa especializada, a banda nasceu de encontros informais em Belo Horizonte que acabaram evoluindo para sessões criativas no Estúdio Bamboo, montado na casa de Haroldo Ferretti, em Nova Lima.


O processo de composição teria levado cerca de um ano — justamente em oposição à lógica acelerada de lançamentos rápidos imposta pelas redes sociais e algoritmos de streaming.


A proposta do Cápsula parece dialogar diretamente com um movimento que vários integrantes do antigo Skank vêm adotando desde o encerramento da banda. Enquanto Samuel Rosa investiu na carreira solo, outros músicos passaram a buscar projetos mais experimentais e colaborativos. Lelo Zaneti, por exemplo, também integra o grupo Trilho Elétrico, que mistura pop, reggae e referências afro-baianas.


Já Érika Martins volta a ganhar destaque no cenário alternativo brasileiro após décadas sendo lembrada como uma das figuras mais marcantes do rock nacional dos anos 1990 à frente da Penélope. A combinação entre músicos vindos de universos tão diferentes parece ser justamente a principal identidade do novo projeto.


Em “Dopamina”, isso aparece de forma clara: grooves herdados do pop mineiro do Skank convivem com guitarras mais atmosféricas e uma interpretação intensa de Érika Martins. O resultado soa nostálgico sem parecer preso ao passado.


Além da música, o discurso do grupo chama atenção pela crítica ao consumo rápido de conteúdo na era digital. Em entrevistas e materiais de divulgação, os integrantes afirmam que a intenção é criar canções “feitas sem pressa”, valorizando discos como experiências completas — quase como uma reação ao imediatismo das plataformas.


Ainda sem álbum anunciado, o Cápsula promete divulgar novas músicas nos próximos meses. Se “Dopamina” servir como termômetro, o projeto tem potencial para agradar tanto fãs do rock alternativo noventista quanto ouvintes em busca de algo mais orgânico dentro da música brasileira atual.

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