Sepultura se aproxima do último show: banda mineira prepara despedida definitiva após mais de 40 anos de história

há 16 horas
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Com apresentação especial nesta quinta-feira (5), em São Paulo, grupo faz os últimos movimentos da turnê “Celebrating Life Through Death”; encerramento da trajetória nos palcos está marcado para sábado (7)
Uma das histórias mais importantes do rock brasileiro está chegando ao seu capítulo final. O Sepultura, banda formada em Belo Horizonte em 1984 e responsável por levar o metal nacional aos principais palcos do mundo, realiza neste sábado (7), em São Paulo, sua última apresentação da carreira.
A despedida acontece após mais de quatro décadas de trajetória, marcada por transformações musicais, mudanças de formação, reconhecimento internacional e uma contribuição decisiva para a consolidação do Brasil no cenário mundial do heavy metal.
Antes do encerramento definitivo, o grupo realiza nesta quinta-feira (5) uma apresentação especial no Cine Joia, também em São Paulo. Batizado de The Last Ceremony, o espetáculo foi concebido em formato mais intimista e com repertório preparado especialmente para a ocasião, funcionando como um dos últimos encontros entre a banda e seus fãs.
A apresentação final será no Suhai Music Hall, no dia 7 de novembro, encerrando a turnê mundial Celebrating Life Through Death, anunciada em dezembro de 2023 como celebração dos 40 anos do grupo.

De Belo Horizonte para o mundo
A história do Sepultura começou em 1984, em Belo Horizonte, quando os irmãos Max e Igor Cavalera deram os primeiros passos para formar uma banda que mudaria o patamar do metal brasileiro. Ao lado de Paulo Xisto e Jairo Guedz, o grupo surgiu na efervescente cena underground da capital mineira, que também revelou nomes importantes da música pesada nacional.

Os primeiros trabalhos, como Bestial Devastation (1985) e Morbid Visions (1986), apresentavam uma sonoridade extrema, influenciada pelo death e pelo thrash metal. A entrada do guitarrista Andreas Kisser ampliou as possibilidades musicais do grupo e ajudou a construir a identidade que o levaria ao reconhecimento internacional.
O lançamento de Beneath the Remains (1989) representou um divisor de águas. Com distribuição internacional pela Roadrunner Records, o álbum abriu portas para o mercado estrangeiro e colocou o Sepultura entre os nomes de destaque do metal mundial.
Na sequência, Arise (1991) consolidou essa posição. Já com Chaos A.D. (1993), a banda ampliou sua linguagem musical, incorporando elementos de groove metal, hardcore e influências de diferentes culturas.
Em 1996, Roots marcou outra transformação importante. O disco aproximou o metal de ritmos e instrumentos da música brasileira, incluindo referências indígenas, e se tornou um dos trabalhos mais emblemáticos da carreira do grupo.
Mudanças de formação e reinvenção
A trajetória do Sepultura também foi marcada por mudanças profundas. A saída de Max Cavalera, em 1996, abriu uma nova fase na história da banda. Em 1997, o norte-americano Derrick Green assumiu os vocais, estreando em estúdio no álbum Against, lançado em 1998.
Anos depois, em 2006, foi a vez de Igor Cavalera deixar o grupo. Mesmo diante dessas transformações, Andreas Kisser e Paulo Xisto mantiveram o projeto em atividade, construindo uma nova etapa com diferentes músicos.
A formação que chega ao encerramento da turnê reúne Andreas Kisser na guitarra, Derrick Green nos vocais, Paulo Xisto no baixo e Greyson Nekrutman na bateria. O jovem baterista norte-americano assumiu o posto em 2024, após a saída de Eloy Casagrande, que posteriormente se juntou ao Slipknot.
Ao longo dessa trajetória, o Sepultura mostrou capacidade de se reinventar sem abandonar a identidade construída desde os primeiros anos em Belo Horizonte.
Um último registro antes da despedida
A despedida também ganhou um capítulo musical com o lançamento de The Cloud of Unknowing, em 24 de abril de 2026. Com quatro faixas — All Souls Rising, Beyond the Dream, Sacred Books e The Place —, o EP representa o último registro de estúdio da banda.
O trabalho apresenta diferentes características da sonoridade do Sepultura e aborda questões sociais, religiosas e políticas. Entre os temas está a imigração, explorada em The Place, enquanto All Souls Rising traz referências à revolta de escravizados no Haiti.
Gravado com Greyson Nekrutman na bateria, o EP funciona como um registro final da criatividade do grupo, que decidiu não encerrar sua história apenas revisitando os sucessos do passado, mas também apresentando material inédito ao público.
Os últimos encontros com os fãs
A reta final da turnê Celebrating Life Through Death reserva dois momentos especiais em São Paulo.
Nesta quinta-feira (5), o Sepultura apresenta The Last Ceremony, no Cine Joia. A proposta é realizar um espetáculo em formato intimista, diferente dos grandes palcos que marcaram a turnê mundial. O repertório foi preparado especialmente para a ocasião, com momentos exclusivos para os fãs.
Já no sábado (7), acontece a apresentação que marcará oficialmente o encerramento da trajetória da banda nos palcos. O show será realizado no Suhai Music Hall, em São Paulo, após alteração do local inicialmente anunciado, o Mercado Livre Arena Pacaembu.
A noite contará com participações de Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich, além de músicos que fizeram parte da história do Sepultura, como Jean Dolabella e Jairo Guedz.
A apresentação representa o fim de uma jornada que atravessou continentes, gerações e diferentes fases do heavy metal.
O legado que nasceu em Minas Gerais
Mais do que uma banda de sucesso internacional, o Sepultura representa uma conquista para a música brasileira. Em uma época em que o mercado mundial do metal era dominado principalmente por grupos europeus e norte-americanos, quatro jovens de Belo Horizonte conseguiram construir uma carreira internacional sem abrir mão de suas origens.
A influência do grupo ultrapassou as fronteiras do gênero. Sua trajetória ajudou a abrir caminhos para outras bandas brasileiras, demonstrando que a música pesada produzida no país poderia conquistar espaço nos principais mercados internacionais.
O encerramento dos shows não apaga essa história. Pelo contrário: transforma a despedida em uma oportunidade de reconhecer a dimensão de uma obra construída ao longo de mais de quatro décadas. O Sepultura nasceu em Belo Horizonte, conquistou o mundo e deixa um legado que continuará reverberando muito depois de seu último acorde.
Serviço – Os últimos shows
The Last Ceremony
Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Cine Joia – São Paulo (SP)
20h30
Último show da carreira
Sábado, 7 de novembro de 2026
Suhai Music Hall – São Paulo (SP)
Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich
Ingressos e informações: Ticketmaster.


























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