Nenhum de Nós completa 40 anos e reafirma seu lugar na história do rock brasileiro

5 de out.
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De “Camila, Camila” aos mais de 2.500 shows, banda gaúcha construiu uma trajetória marcada por sucessos, reinvenção e uma conexão duradoura com diferentes gerações
Quatro décadas depois de subir pela primeira vez a um palco em Porto Alegre, o Nenhum de Nós chega aos 40 anos de carreira sem olhar apenas para o passado. A banda gaúcha celebra a marca em 2026 mantendo uma rotina de shows, revisitando canções que atravessaram gerações e mostrando que sua história continua sendo construída diante do público.
A primeira apresentação aconteceu em 5 de outubro de 1986, quando Thedy Corrêa, Carlos Stein e Sady Homrich ainda começavam a descobrir os caminhos que a nova banda poderia seguir. Quarenta anos depois, o grupo ultrapassou a marca de 2.500 apresentações ao vivo e se consolidou como um dos nomes mais longevos do rock brasileiro.
Um nome que nasceu entre amigos
A história começou em Porto Alegre, no efervescente cenário do rock gaúcho dos anos 1980. O nome Nenhum de Nós surgiu quase como uma brincadeira entre os integrantes originais, a partir das coincidências que existiam entre eles: nenhum enxergava bem, nenhum havia repetido de ano e nenhum havia prestado serviço militar.
A brincadeira acabou dando nome a uma das bandas mais importantes surgidas naquele período. O primeiro álbum, lançado em 1987, apresentou ao público uma banda que rapidamente encontraria sua identidade própria. E foi justamente uma música desse primeiro disco que mudaria tudo.
“Camila, Camila” colocou o Nenhum de Nós no mapa nacional
Lançada em 1987, “Camila, Camila” tornou-se o primeiro grande sucesso do grupo. A canção, inspirada em uma história real de violência contra uma mulher, chamou atenção não apenas pelo potencial radiofônico, mas também por abordar um tema que continua atual.
O sucesso levou o Nenhum de Nós para além do circuito gaúcho e abriu as portas para apresentações em outras regiões do país. A música também ganhou uma nova dimensão quando foi posteriormente gravada por Cazuza, embora hoje a canção na voz de Cazuza seja pouco lembrada. A que ficou foi a canção original.
Pouco depois, veio outro daqueles momentos que ajudam a explicar a permanência da banda na memória afetiva do público. Em 1989, o álbum Cardume trouxe “O Astronauta de Mármore”, versão de “Starman”, de David Bowie. A música tornou-se um dos maiores sucessos da carreira do grupo e ajudou a consolidar o Nenhum de Nós nacionalmente.
Mais do que uma banda dos anos 1980
Ser lembrado por grandes sucessos dos anos 1980 poderia ter transformado o Nenhum de Nós em uma banda presa à nostalgia. A trajetória mostrou justamente o contrário. Nos anos seguintes, o grupo continuou produzindo discos e experimentando diferentes sonoridades. Extraño, de 1990, aproximou ainda mais o rock da música gaúcha, enquanto trabalhos posteriores ampliaram o repertório e ajudaram a construir uma carreira que não ficou restrita aos primeiros hits.
Em 1994, o grupo lançou Acústico ao Vivo, gravado no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. O trabalho se tornou um marco na carreira e recebeu Disco de Ouro. Anos depois, outros registros ao vivo reforçariam uma característica que acompanha a banda desde o início: a força de suas músicas quando apresentadas diante do público.
Na segunda metade dos anos 1990, vieram álbuns como Mundo Diablo e Paz e Amor. Este último trouxe músicas que também se tornariam importantes na trajetória do grupo, entre elas “Você Vai Lembrar de Mim” e “Paz e Amor”.
A partir dos anos 2000, o Nenhum de Nós continuou lançando trabalhos inéditos, discos ao vivo e projetos acústicos. A banda chegou a realizar uma das maiores turnês de sua carreira entre 2007 e 2010, com cerca de 350 apresentações pelo Brasil e também no exterior.
Quatro décadas e algumas mudanças
A longevidade também trouxe mudanças na formação. Veco Marques passou a integrar a banda ainda no início dos anos 1990 e se tornou peça importante na identidade sonora do grupo. Em 1996, João Vicenti foi oficialmente incorporado à formação, contribuindo com teclados e acordeom durante uma fase marcante da carreira.
A morte de João Vicenti, em março de 2024, representou uma perda especialmente significativa. Foi a primeira vez que a banda perdeu um integrante desde sua formação.
Depois de quase três décadas como quinteto, o Nenhum de Nós retomou o formato de quarteto, com Thedy Corrêa, Carlos Stein, Sady Homrich e Veco Marques, acompanhado por Estevão Camargo no baixo e vocais de apoio.

2.500 shows: uma marca que poucos alcançaram
Se os 40 anos já seriam suficientes para celebrar a história da banda, 2026 trouxe outro número impressionante: 2.500 shows.
A marca foi alcançada em junho, justamente em Belo Horizonte. No dia 12 daquele mês, o Nenhum de Nós subiu ao palco do BeFly Minascentro para uma apresentação especial que reuniu as comemorações das quatro décadas de carreira e do 2.500º show.
A escolha de Belo Horizonte para a apresentação de número 2.500 não foi por acaso. A banda já havia comemorado os números 1.000, 1.500 e 2.000 em outras cidades e decidiu transformar a capital mineira em cenário de mais um capítulo importante de sua história.
No repertório, sucessos como “Camila, Camila”, “O Astronauta de Mármore”, “Você Vai Lembrar de Mim”, “Paz e Amor” e “Amanhã ou Depois” continuam funcionando como uma espécie de ponte entre diferentes gerações de fãs.
Uma história que ainda está sendo escrita
Chegar aos 40 anos não significa, para o Nenhum de Nós, encerrar um ciclo. A banda continua na estrada e mantém apresentações pelo Brasil em 2026, além de seguir celebrando a trajetória construída desde aquele primeiro palco de Porto Alegre.
A dimensão dessa história também pode ser medida pela distância percorrida. Ao longo das décadas, o grupo levou seu repertório para diferentes regiões do Brasil e também para outros países, incluindo apresentações no Japão e na China. Em 2024, mesmo diante da perda de João Vicenti, foram mais de 70 shows realizados, incluindo duas apresentações no Japão.
Quatro décadas depois, talvez o maior feito do Nenhum de Nós não seja apenas ter sobrevivido às transformações da indústria musical ou mantido sucessos dos anos 1980 vivos. É ter conseguido fazer com que músicas criadas em outra época continuassem encontrando significado em novas gerações.
Entre o rock gaúcho dos anos 1980 e os palcos brasileiros de 2026, o Nenhum de Nós construiu uma trajetória baseada em algo mais difícil do que simplesmente fazer sucesso: permanecer relevante.
E, aos 40 anos, a banda ainda parece ter muitos capítulos pela frente.




























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